“Então me desculpe. Me desculpe pelas vezes que não te dei atenção. Me desculpe pelas vezes que não consegui te fazer sorrir quando derramavas suas lágrimas. Me desculpe pelas vezes que não fui o suficiente pra te fazer bem. Me desculpe pelas palavras nunca ditas, pelas atitudes nunca tomadas, pelo “eu te amo” não dito quando foi preciso. Me desculpe pelas vezes que não soube dizer o quanto você significa pra mim ou pelas vezes que deixei transparecer a lúcida idéia de que você não é importante pra mim, porque não era a verdade, mas me desculpe. Me desculpe pelas confusões que faço dentro de você, do seu coração, cabeça, pés, mãos, tudo. Me desculpe por ser esse desastre ambulante e não ter nem um corretivo pra pelo menos tirar o grosso desse erro a caneta. Mas me desculpe de todo coração, pelas vezes que você precisava de mim e eu não estive aí, perto de você, pra pelo menos te dar um abraço e garantir que tudo iria ficar bem. Me perdoa, por favor. Por tudo. Porque eu não queria errar tanto assim com você. Mas você sabia desde o começo, que eu era essa máquina de erros. Que eu só sabia sair estragando tudo. Que eu era ciumenta, possessiva e cheia de manias incorrigíveis. Você sabia meu amor, desde o início. E ainda quis persistir em mim, acreditou que eu iria mudar. Mas eu não mudo, sou incorrigível, não tenho como mudar. Talvez, por você, melhorar um pouco. Mas corrigir? Não, meu amor, isso não é possível. Somente, me perdoe, por tudo feito ou talvez, por nada feito.
“E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora.
“E você sempre quis, quis até demais, ter alguém que não te quer.
“Acho tão bonito casais que duram. Não importa o tempo, o que vale é a intensidade. Querer estar junto vale muito mais do que estar junto há 20 e tantos anos só por comodidade. Sei que estou falando obviedades, mas hoje vi um casal de velhinhos na rua. Acho que o amor, quando é amor, tem lá suas dores bonitas. A gente vê uma cena e o coração fica emocionado. Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no próprio umbigo e nos próprios problemas, com tanta disputa pelo poder, pelo dinheiro, por ter mais e mais, sei lá, acho bonito ver um casal de velhinhos na rua. A mão, enrugadinha, segura a outra mão. A outra mão, por sua vez, segura uma bengala. Falta equilíbrio, sobra experiência. Falta a juventude, sobra história para contar. Falta uma pele lisa, sobram marcas de expressão que contam segredos. Envelhecer não é feio. Em tempos de botox, a gente devia olhar um pouco para dentro. De si. Do outro. Do amor.
“Eu só queria que uma vezinha só - não precisava ser o tempo todo, não precisava ser pra sempre - alguma coisa durasse até o fim. Até o fim mesmo. Como quando a gente chupa um picolé até só restar o palito, ou se lambuza de torta até só sobrar o guardanapo manchado, ou como a garrafa de vinho que no fim é só garrafa, sem vinho. Não quero essas gotas em mim sem serventia, perdendo o sabor. Não quero mais essa sensação estranha de que faltou coisa pra dizer, pra viver, pra sentir. Quero alguém que fique no cinema comigo até os créditos finais do filme, sabe? E nem tô falando só de amor…